Ministério das Mulheres lança guia de Comunicação Pública para Igualdade de Gênero
O Ministério das Mulheres lançou o Guia de Comunicação Pública para Igualdade de Gênero, uma publicação que propõe diretrizes para tornar a comunicação institucional mais inclusiva, justa e alinhada à promoção de direitos. O material, divulgado em formato digital, pode servir como referência estratégica para as emissoras da Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP).
Segundo a pasta, mais do que um manual técnico, o documento se propõe a estimular uma mudança de cultura nas instituições públicas, reconhecendo o papel da comunicação como ferramenta essencial no enfrentamento das desigualdades.
Com cerca de 50 páginas ilustradas, o guia é voltado a profissionais de comunicação do setor público e aborda práticas que valorizam a diversidade e a dignidade das mulheres.
A publicação está organizada em eixos que orientam uma comunicação pública mais justa e inclusiva:
- Promoção da igualdade: parte do princípio de que a informação é um direito, e o Estado deve ser um agente ativo na desconstrução de estereótipos, garantindo que a comunicação seja acessível e reflita a realidade da população.
- Uso de dados com recorte de gênero e raça: ensina que, para que uma política pública seja eficaz, ela precisa enxergar quem ela atende, e o uso de dados qualificados permite ações mais justas e direcionadas.
- Prática da interseccionalidade: reconhece que as mulheres são diversas e incentiva narrativas em que raça, classe e orientação sexual se cruzam, garantindo visibilidade a grupos historicamente marginalizados.
- Uso de linguagem não sexista: propõe superar o "masculino genérico" que invisibiliza as mulheres; mais do que trocar palavras, a ideia é adotar uma linguagem que inclua a todos de forma natural e estratégica.
- Responsabilidade ao comunicar violência: orienta que casos de violência contra a mulher devem ser tratados como um problema de saúde e segurança pública, e não um fato privado; o foco aqui é a proteção da vítima e a responsabilização do agressor, evitando a revitimização.
- Diversidade de fontes e equipes: incentiva a pluralidade de vozes e a formação de equipes diversas para garantir uma comunicação mais plural e representativa.
- Canais de escuta empática: propõe fortalecer os canais de escuta pública para que mulheres de todas as realidades se sintam seguras e ouvidas em suas demandas.
Comunicação pública como espelho da diversidade
Integrado ao Pacto Brasil contra o Feminicídio, o Guia de Comunicação Pública para Igualdade de Gênero do Ministério das Mulheres passa a ser uma referência para o planejamento de campanhas e políticas governamentais.
A proposta é transformar as instituições por dentro, para que o serviço público se consolide como um espelho da diversidade e um motor de promoção da igualdade.
Para as emissoras da RNCP, o guia representa uma oportunidade de qualificar conteúdos e práticas, alinhando a produção audiovisual aos princípios da comunicação pública e ao compromisso com a equidade de gênero.